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Desmatamento na Amazônia tem pior mês de abril desde 2016, aponta Inpe

A área de alertas de desmatamento em abril cresceu 42% na Amazônia em relação ao mesmo mês do ano ado, aponta Inpe - Bruno Kelly/Reuters
A área de alertas de desmatamento em abril cresceu 42% na Amazônia em relação ao mesmo mês do ano ado, aponta Inpe Imagem: Bruno Kelly/Reuters

Do UOL, em São Paulo

07/05/2021 10h49Atualizada em 07/05/2021 13h33

O índice de desmatamento na Amazônia em abril deste ano atingiu o seu pior resultado desde o início da série história, em 2016, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Foram devastados 580,55 km² até o dia 29 de abril de 2021, ante 407,2 km² em abril de 2020, uma alta de 42,5%, conforme medições do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real).

Em nota, o OC (Observatório do Clima) diz que os dados "desmentem o governo federal", que comemorou a queda de cerca de 15% nos alertas verificada entre agosto de 2020 e abril de 2021 (em relação ao mesmo período anterior), como resultado da ação do Exército na Amazônia.

"Os alertas têm oscilado mês a mês para cima e para baixo, o que mostra que não existe uma política consistente ou uma ação sustentada da istração federal para controlar a devastação", diz o comunicado divulgado pela entidade.

A rede ainda afirmou que "26% da Amazônia estava coberta de nuvens, portanto invisível ao satélite, na hora da análise. É o maior percentual de nuvens para o mês na série iniciada em 2015 e o desmatamento pode ser ainda maior.

Em março, o Deter detectou perda de 367 km² de floresta, um aumento de 12,5% em relação ao visto no mesmo mês em 2020. Já os meses de janeiro e fevereiro de 2021 registraram índices de devastação menores ante o notificado no mesmo período no ano ado.

A estação seca, que começa em maio e atinge seu pico em julho e agosto, é a mais destrutiva. No período de referência agosto-julho, foram registrados recordes sucessivos ao longo de três anos, com 9.216 km² desmatados entre agosto de 2019 e julho de 2020 (+34% em relação aos 12 meses anteriores), segundo o Inpe.

"A fiscalização do Ibama está parada devido a mudanças impostas por Ricardo Salles nos procedimentos de autuação. O processo de punição a crimes ambientais também foi inviabilizado pelo ministro. (...) As ações contra o desmatamento dependem quase exclusivamente agora dos governos estaduais, cujo efetivo e alcance de fiscalização são limitados", completa a nota divulgada pela rede.

Em abril, ao participar da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, Bolsonaro afirmou que o Brasil está aberto à "cooperação internacional" na área ambiental e declarou que o país buscará atingir a neutralidade climática (reduzir a zero o balanço das emissões de carbono) até 2050. O tom mais moderado adotado na reunião chamou atenção dos demais presidentes.

A meta apresentada até 2050 é a mesma fixada pelos Estados Unidos e pelos grandes países europeus em relação às ações para zerar o balanço das emissões de CO².

No entanto, no mesmo dia do encontro internacional, Bolsonaro rebateu as críticas ao desmatamento no país sugerindo que "há interesses econômicos por parte dos países que têm cobrado o governo nessa questão, como os Estados Unidos".

A pressão sobre o Brasil aumentou nesta semana. Grandes supermercados e produtores de alimentos britânicos e da União Europeia ameaçaram boicotar os produtos brasileiros, devido a um projeto de lei que, segundo eles, levaria a mais desmatamento na Amazônia.

De acordo com um estudo publicado na semana ada pela revista Nature Climate Change, a Amazônia brasileira emitiu mais carbono na última década do que absorveu, em uma reversão sem precedentes de seu equilíbrio tradicional.